Estamos acostumados a ver a preconização da educação musical
sempre com a justificativa de que tal prática estimula a concentração, a
atenção, a coordenação motora, as inteligências intra e interpessoal etc. Ora,
estuda-se línguas, geografia, matemática, biologia, física, química porque são
áreas do conhecimento humano, ou seja, assuntos que permeiam a vida humana, e,
não, por algum motivo externo a elas.
Com a música não pode ser diferente! Embora as argumentações
aqui citadas tenham fundamento, na verdade, devemos estudar música porque ela
faz parte da vida humana. Ouvimos música na escola, no rádio, nas propagandas,
na igreja, quando estamos tristes, quando estamos felizes, nas festas, nos
velórios, enfim, a música é uma área do conhecimento humano que merece ser
estudada por si própria!
Segundo importantes estudos, a educação musical não pode ser
remediada no ensino fundamental, isto é, as oportunidades que se perderam na
educação infantil somente podem ser compensadas, porém, jamais serão remediadas
a ponto de se dizer que a alfabetização sonora possa ser dispensável na
educação infantil.
Digo alfabetização sonora em lugar de “musicalização”, pois
as crianças de três a cinco anos ainda estão em fase de aprendizado dos signos
sonoros. Nessa fase, para elas, ainda é difícil perceber a gradação de um som
muito agudo para um super grave. Ainda têm dificuldade para perceber a
constância de um batimento. Além de ainda não saberem ao certo se uma explosão
é motivo de festa ou de uma catástrofe. Daí a importância de investigarmos a
paisagem sonora na qual essas crianças estão inseridas.
Depois de alfabetizadas desse ponto de vista, essas crianças
terão uma percepção sonora que facilitará sua musicalização nos anos
posteriores de sua trajetória escolar.
Entretanto, não podemos perder de vista que a música é um
elemento facilitador da ludicidade e da alegria, portanto, mesmo que não
estejam cientes da importância da alfabetização sonora, todos os professores de
educação infantil já intuem, de algum modo, que a música tem de estar em sala
de aula. E, do meu ponto de vista, intuição de professor e parecida com
intuição de mãe.
Márcio Coelho
